Relacionalidade do ser humano

Escreve quem sabe

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Ana Paula Silva

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Para além de proceder a investigações sobre a questão de saber quais são os mecanismos da ação e do conhecimento humano, interessa também chegar ao fulcro da questão, a qual se obtém, respondendo à pergunta: ‘Quem somos?’ e, segundo Alfredo Dinis (2004) “Não precisamos sair deste mundo em que vivemos para encontrar a resposta”.
Evan Thompson (2001) referiu: “que a mente humana individual não está confinada ao interior da cabeça mas que se expande por todo o corpo vivo e inclui o mundo para além da membrana biológica do organismo, especialmente o mundo das relações interpessoais e sociais do self e do outro”.

A relacionalidade é um fator fundamental para o desenvolvimento do ser humano ao longo de todo o seu ciclo vital: ele vai evoluindo sustentado pelas relações significativas que vai estabelecendo com os demais e consigo mesmo.
Boss (1976) compara cada homem ao raio de sol que, ao unir-se aos demais, forma a claridade do dia, pois juntos constituem a abertura na qual o mundo se desvela, condição para que qualquer coisa seja. Assim cada um de nós existe à sua maneira mas jamais a ponto de ser apenas para si mesmo, como se fosse primordialmente separado de todos os outros.

Dá-se mais um passo na compreensão total do ser humano, quando todas as suas dimensões são integradas num todo dinâmico, em que cada uma tem sentido e existe pela sua integração nas outras; as partes e o todo evoluem em função da sua relação, e a própria relação evolui.
Cabe agora olhar para a psicologia a partir de uma visão antropologicamente renovada - um ser-em-relação. A partir desta visão, a psicologia pode trazer benefícios para um mundo individualista, onde o ser humano isolado debate-se nas suas estratégias de busca pelo bem-estar.

A psicologia poderá ajudar o ser humano por intermédio de uma abordagem relacional no coping com a vida e potenciar o sucesso para uma melhor adaptação à realidade interna e externa, através das mediações relacionais: levando a uma ampliação da consciência, estimulando a criação de sentidos em relação à vida, promovendo um autoconhecimento e assim, potenciando um maior equilíbrio entre o sentir, o pensar e o fazer.

A tónica na relacionalidade do ser humano, tal como se manifesta em cada pessoa, apresenta-se mais clara nas dinâmicas grupais. Torna-se evidente que a compreensão da pessoa não pode prescindir do conhecimento do contexto das relações vitais significativas nas quais ela está imersa.

O ser humano cresce e desenvolve-se no seio de grupos, dos quais dependemos para sobrevivermos e adaptarmo-nos à vida e às constrições sociais que (de)formam a construção do eu.
O grupo torna-se um lugar privilegiado ao potenciar a relação com o outro e, nesta implicação mútua, possibilita a transformação pessoal e mobiliza a mudança social. Desta forma, o grupo pode-se constituir como espaço terapêutico capaz de possibilitar a atuação de determinados fatores, mediadores da mudança terapêutica.

O grupo, como uma forma de psicoterapia relacional, apresenta a mesma lógica terapêutica que se pode encontrar na psicoterapia individual de carácter relacional: os membros do grupo assumem, alternadamente, papéis terapêuticos, ocorrendo partilhas emocionais e repetição de situações que se manifestam no “aqui e no agora”.
Ambas as lógicas terapêuticas permitem (1) a perceção das similaridades e universalidade dos problemas que causam ‘dor’; (2) aconselhamento direto (reflexo do interesse e cuidado mútuo); (3) aliança terapêutica/coesão grupal que facilita o trabalho interventivo e a expressão de sentimentos.

A necessidade biológica de se estar em relação-com-o-outro apresenta-se como base teórica de uma adequada terapêutica de muitos problemas e dificuldades do homem de hoje. A relacionalidade pontuada pela afetividade é primordial em qualquer contexto que tem como objetivo ajudar alguém; o que apresenta o Ser Humano como um ser relacional por excelência.

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