O Caminheirismo (I)

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Carlos Alberto Pereira

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No livro fundador da IV Secção, A Caminho do Triunfo, cuja primeira edição remonta a 1922, Baden-Powell define o Caminheirismo da seguinte forma:
«Os caminheiros formam uma fraternidade do Ar Livre para Servir. São viandantes da Via Pública e campistas dos bosques, capazes de tratarem de si, mas capazes também de prestarem auxílio aos outros. São de facto uma Secção mais velha da obra dos Escutas - jovens de mais de dezassete anos de idade.
Os quatro objectivos principais da educação escutista são desenvolver os seguintes pontos
Carácter e inteligência.
Habilidade Manual e Aptidão.
Saúde e robustez.
Serviço ao próximo e Civismo.»2
Definição esta que se complementa com três outras afirmações relevantes:
• «Por caminho não quero significar um caminhar ao acaso, sem finalidade, mas antes um trajecto agradável com um objectivo definido, ao mesmo tempo que há a consciência das dificuldades e perigos que podem deparar-se no percurso.»
• (...) A vida seria aborrecida se fosse toda de rosas; o sal tomado só é amargo; mas dá sabor agradável à comida. As dificuldades são o sal da vida.»3
• «Aquilo que mais vale a pena possuir é o que não se compra com dinheiro».4
Tendo em consideração este pensamento de Baden-Powell, podemos dizer que o caminho, qualquer que seja, no escutismo, conduz a uma meta, a um objetivo, sendo essa meta que o justifica e que lhe dá razão de ser. Portando, o caminho é um meio e não um fim, em si mesmo. Desta forma, o Caminheirismo é uma proposta educativa guiada pela pedagogia do caminho sendo portadora de uma finalidade educativa:
«O CNE ajuda jovens a crescer...
…a procurar a sua própria Felicidade e a contribuir decisivamente para a dos outros.
…a descobrir e viver segundo os Valores de um verdadeiro Homem Novo. (...)
...para que com o Ser, Saber e Agir se tornem homens e mulheres responsáveis e membros ativos de comunidades, na construção de um mundo melhor.»5
A proposta pedagógica do Caminho assenta no SERVIR - síntese do próprio caminho e da sua mística, vivido em cada momento, passado a ato contínuo e consciente, permitindo a purificação do orgulho pessoal e modelador da vivência de um ideal comum.
É assim que, lenta e gradualmente, o Homem Novo nasce para os outros, para o mundo e para Deus, permitindo-se dar a Deus um Mundo Novo.
O jovem caminheiro que, no início, não conhecia bem o trilho que seguia, nem o ponto de chegada, vai, pouco a pouco, descobrindo, em fraternidade e alegria, a sua vocação, o seu lugar e a sua função no caminho da vida.
Como ponto de referência para o Caminheiro e para o seu Clã (comunidade de caminheiros), podemos relembrar as primeiras comunidades cristãs, marginalizadas e até mesmo perseguidas, mas reconhecidas na expressão do «vejam como eles se amam», nas quais S. Paulo, passada a fase de perseguidor, teve um papel preponderante na sua afirmação, ao assumir-se como um “Caminheiro” do Evangelho, e onde a fraternidade era a pedra angular de todos os seus valores, de tal forma, que a sua expansão por todo o mundo foi apenas uma questão de tempo.
Finalmente, não poderemos deixar de referenciar esse livro vivo e maravilho que Deus nos legou: a Natureza. Lição ímpar de liberdade, respeito, organização, cooperação e de harmonia que todos devemos, não só aprender, mas, sobretudo, viver de forma que a nossa vida seja uma fraternidade natural que reflita o mais profundo da nossa razão de ser: a construção de uma ecologia integral na nossa casa comum que nos conduza a um mundo melhor.
1Este tema será desenvolvido em duas crónicas.
2B.-P., A Caminho do Triunfo, C.N.E., Lisboa, 2009, 3ª edição, p.185.
3ibidem, p.16.
4ibidem, p.20, citando Sir Ernest Cassel (banqueiro, comerciante e capitalista britânico - 1852-1921).
5CNE, Educamos. Para quê? - Uma Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas

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