Voltar a ser escola

Voz às Escolas

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Luisa Rodrigues

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Recebi, recentemente, o pedido de divulgação de um Ciclo de Conferências com um título bem sugestivo - “Pais e Professores à beira de um ataque de nervos”.
Ao debate são chamados convidados especialistas de diferentes áreas para discutir questões centrais e inerentes à parentalidade positiva, ao sucesso educativo e ao papel da escola.
Paralelamente, e numa das minhas investidas pela Fnac, trouxe para casa uma das últimas publicações de um especialista que prima pela forma clara e cirúrgica como aborda as questões relacionadas com a adolescência, e que, ao longo dos tempos, tem sido o responsável por alguns dos meus momentos de reflexão e questionamento em matéria de (in)disciplina - Daniel Sampaio.
Mas, como se não bastasse, no último seminário em que participei na UCP - Porto, a temática da indisciplina, do papel da escola e da família voltou a estar na ordem do dia, embora numa abordagem passível de ser questionada.
Concluindo, para onde quer que os ventos soprem, indisciplina, escola e família surgem como o problema de uma sociedade pensante mas, há que reconhecê-lo, pouco atuante.
A temática começa a ficar gasta sem que, no entanto, possamos ignorá-la, por estar longe de ter sido encontrada a solução para aquela que começa a transformar-se na “praga” do século XXI.
E se, por um lado, a indisciplina é presença assídua em muitas salas de aula, talvez decorrente do facto de alguns alunos se arrastarem até à escola porque é obrigatório, por outro lado, todos sabemos que, em resultado, sobretudo, da falta de estatuto, alguns profissionais de educação desistiram, perderam a motivação e deixaram de investir na inovação pedagógica, enquanto a família, a braços com os efeitos de uma educação permissiva, em que os limites são mera retórica e em que a natural hierarquia familiar não funciona, se distancia, cada vez mais, da escola. O que é o mesmo que dizer-se que se agravam as condições para uma intervenção com resultados a médio prazo.
Encontramo-nos, então, em queda livre para o abismo, é compreensível perguntar-se, o que não estará muito longe da verdade se, a curtíssimo prazo, o poder decisor não sair da sua zona de conforto e vier inteirar-se do modus vivendi dos comuns mortais, leia-se, os profissionais de educação e, por arrastamento, aqueles que, diariamente, lutam ao seu lado, os assistentes técnicos e operacionais das escolas.
A escola está cansada de teorias e de receitas avulso, num total desconhecimento pelos males que a afetam; a escola está cansada de ser chamada a prestar contas das responsabilidades que lhe são assacadas - plataformas, provas de aferição, provas finais, avaliações externas, ações inspetivas…
É urgente mudar. Mudar o clima de escola, comprometermo-nos, a escola com os alunos, a escola com a família e os alunos e a família com a escola, num diálogo franco e assertivo, onde o respeito recíproco seja a tónica.
Mas será que basta este compromisso de base, imprescindível, sem dúvida, ao desenvolvimento de um processo que, sendo realistas, sabemos que está inquinado pela falta de reconhecimento do verdadeiro papel da escola, a quem os parceiros, alunos e família exigem respostas, aos mais diversos níveis, atribuindo-lhe a responsabilidade maior quanto ao tipo de cidadãos que está a formar e, por inerência, ao tipo de sociedade que teremos que enfrentar num futuro bem mais próximo do que se pensa?
Mas quem se compromete com a escola?
A quem cabe dotar a escola de recursos para que lhe possam, honestamente, ser exigidas contas? No meu modesto entendimento, à estrutura que a tutela, ao Ministério da Educação, esse parceiro visionário que tanto tarda em abrir os olhos e enfrentar a dura realidade - a imagem da escola está desgastada, a escola precisa de ser diferente, de se reinventar após uma tão pesada travessia no deserto, abrindo as portas a aprendizagens mútuas em que o professor assuma o papel de mediador do conhecimento apreendido, dentro e fora do contexto escolar.
A escola precisa de voltar a ser escola.

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