Relações Humanas

Voz às Escolas

autor

João Andrade

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O modelo organizacional preconizado para as organizações públicas, incluindo as escolas, é o burocrático. Nele, um conjunto de regras, esplanadas em leis, portarias, despachos, circulares, regulamentos e, até, ordens de serviço, determinam como as instituições se devem organizar e funcionar.
Mas se o modelo pretende ser determinístico e indistinto na sua aplicação, já os atores que o preconizam e, particularmente os que, a diário, o implementam não o são.
São plenos de características próprias, com emoções, contextos de construção e de vida distintos, o que origina que a definição, apropriação, aplicação ou mesmo a vinculação às referidas regras seja completamente distinta.
Na organização escola, primordialmente uma organização de e para seres humanos e onde o bem transacionado são valores e saberes, num contexto formativo e educacional, torna-se fulcral a consideração da dimensão pessoal em todas as vertentes do seu funcionamento.
Esta dimensão pessoal é, por exemplo e desde logo, a principal dificuldade do processo educativo: ensinar um currículo único, pensado para um aluno tipo ideal, a alunos completamente distintos, através de professores, eles também, completamente distintos.
A estes atores distintos, alunos e professores, juntar-se pais e outros funcionários, todos eles também dotados de características e interesses muito próprios, que afetam imensamente, quer as suas ações, quer o seu relacionamento mútuo.
Assim surge o contrassenso de uma organização que aplica regras indiferentes e currículo indistinto a atores, todos eles, fortemente distintos.
Como conseguir, assim, que a mesma minimamente funcione? No que concerne o currículo, através de todas as adequações que os normativos, possível autonomia, bom senso e recursos disponíveis consigam.
Nas relações interpessoais - área, no nosso entender, claramente negligenciada, quer enquanto necessidade formativa basilar, quer na dotação de recursos humanos para as trabalhar - torna-se imprescindível a aplicação de alguns princípios basilares: além da garantia de que um conjunto essencial das regras formalmente preconizadas seja cumprido, garantindo um todo conhecido e expectável, é imprescindível a constância do respeito pelo outro e pela sua especificidade. O respeito mútuo é tão mais fulcral quanto menor for o conhecimento mútuo. É a partir do respeito que se poderão manter relações saudáveis enquanto se constrói o conhecimento do outro. Aqui, vem-nos à memória um discurso recorrentemente evocado do Papa Francisco, principalmente a propósito das relações na família, mas obviamente extensível a todos os outros contextos de relações onde nos integramos: a importância de três termos, que podem, independentemente da natureza das relações, inclusive as hierárquicas, traduzir esse respeito pelo outro: “com licença” (ou, também, “por favor”), “obrigado(a)” e “desculpa”. A garantia que o outro é um ator cujo parecer se considera, quando se pede com licença, o agradecimento pelo respeito que o outro também demonstrou quando realizou algo, quando se diz obrigado, e a assunção do nosso erro e de como ele afetou o outro, com desculpa. A significante e consciente utilização destes três termos, inclusive de um professor para um aluno, de uma chefia para um subordinado, ou mesmo num contexto de forte dissensão, pode fazer toda a diferença no bom funcionamento e exemplaridade de uma organização, que tem que ser, antes de tudo, educativa.

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