Turismo gastronómico em Braga

Escreve quem sabe

autor

Rui Marques

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“Em março e abril, refeições mil”. Esta bem poderia ser a adaptação do conhecido ditado popular para apresentar a 5ª edição das “Sugestões do Chef”. Esta iniciativa, da Associação Comercial de Braga, visa promover os melhores restaurantes da região e tem como objetivo valorizar, dinamizar e divulgar a sua oferta gastronómica de excelência.
Em 2017 as “Sugestões do Chef” envolvem o maior número de restaurantes aderentes de sempre. São 40 e dão um exemplo notável de cooperação, associando-se àquela que considero ser a maior ação coletiva de promoção da gastronomia e da restauração de Portugal.
À semelhança das edições anteriores, o mote para a promoção desta iniciativa é a campanha “duas refeições pelo preço de uma”, mas este ano, com a promoção a vigorar por um período mais alargado - 40 dias (de 1 de março a 9 de abril).
Ao longo deste período, a Associação Comercial de Braga estima que cerca de 65 mil clientes usufruam da campanha e que se gere um volume de negócios superior a 700 mil euros. Apesar da dimensão, significativa, deste montante, o alcance de novos clientes continua a ser o objetivo maior desta campanha.
A gastronomia desempenha um papel fundamental na atração de turistas para a nossa região, assumindo-se como um dos principais motivos de deslocação de visitantes. Aliás, a gastronomia e o turismo estão relacionados de forma indissociável - os turistas precisam de comer. No entanto, a gastronomia como recurso turístico desempenha um papel muito mais relevante do que apenas satisfazer a necessidade de comer. É uma expressão muito importante da cultura de cada região através da qual as experiências turísticas podem ser exploradas de forma diferenciadora. A gastronomia - local, entenda-se - trás valor acrescentado ao turismo e enriquece a experiência turística. Tornando-a mais autêntica, ajudando a construir uma imagem de destino distintiva e mais valiosa.
Em Braga, à semelhança do que acontece nas grandes cidades europeias, a restauração vive um período de grande vitalidade mercê do surgimento de novos restaurantes e de novos conceitos ligados à restauração, da capacidade de inovação e qualificação dos operadores do setor e, sobretudo, do significativo aumento da procura quer de residentes, quer de não residentes.
E, portanto, coloca-se aqui uma questão fundamental. Porque é que as pessoas valorizam tanto as experiências gastronómicas? O que é que as motiva?
Conhecer as motivações dos consumidores é meio caminho andado para se ser bem-sucedido em qualquer negócio. No caso particular da gastronomia, o assunto tem sido estudado por diversos especialistas e académicos, sendo hoje relativamente consensual que se podem agrupar em 4 categorias as motivações que sustentam a procura de experiências gastronómicas: fisiológicas, culturais, interpessoais e de prestígio.
As motivações fisiológicas encontram-se associadas, por um lado, à necessidade básica de comer e ao facto da comida despertar os sentidos e levar o consumidor a experienciar sensações variadas. Por outro lado, à necessidade das pessoas relaxarem e fugirem da rotina, obtendo prazer através de refeições e a oportunidade de se familiarizarem com novos sabores.
As motivações culturais estão diretamente relacionadas com a importância da gastronomia na cultura de qualquer país ou região. Os visitantes veem na gastronomia a possibilidade de não só provarem novos pratos e sabores, mas também de vivenciarem e perceberem os hábitos e os costumes locais que lhes estão associados.
No que respeita às motivações interpessoais, a gastronomia desempenha um papel de promotor da socialização humana. A maior parte dos turistas viaja em grupo e ter alguém com quem partilhar uma experiência, acrescenta muito mais valor e satisfação ao prazer que esta proporciona. Esta premissa aplica-se em qualquer experiência agradável, mas tem um significado ainda mais percetível na gastronomia.
O ato de comer fora de casa tem uma função social extraordinariamente importante nas sociedades modernas. Aproxima as pessoas, promovendo o convívio entre elas e permite o estreitar e o estabelecimento de novas relações. Numa época em que as pessoas vivem num ritmo cada vez mais acelerado e rodeadas de tecnologia, que as afasta do contacto humano, é à volta de uma mesa, com comida e bebida, que mais se promovem as relações interpessoais.
O status e o prestígio sempre foram um dos aspetos mais relevantes da gastronomia, mas, hoje em dia, esta motivação ganha uma importância adicional atendendo a que o ato de comer fora é associado, comummente, a qualidade de vida.
Comer no restaurante da moda e ser visto lá, ou poder contar aos amigos que se comeu num local mais luxuoso e exclusivo, para muitas pessoas, significa um status mais elevado e um reconhecimento entre os pares.
Desvalorizada durante muitos anos, a contribuição da gastronomia para o turismo é hoje amplamente reconhecida e os destinos passaram a incluí-la na sua estratégia de promoção, como um produto chave da sua oferta. Fundamental é preservar a sua autenticidade, estimular a aposta na diferenciação e continuar a qualificar os ativos do setor, para que esta continue a constituir uma mais-valia distintiva na competição global entre destinos.

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