A Festa das Lanternas

Voz às Escolas

No passado dia 15 de fevereiro festejamos com a nossa comunidade escolar a Festa das Lanternas. Como sabem, o mandarim é lecionado na Escola Carlos Amarante, sendo realizadas durante o ano várias atividades de divulgação da língua e cultura chinesa com a excelente colaboração do Instituto Confúcio.
Foi o caso da comemoração da Festa das Lanternas que contou com a participação dos alunos e professores, aberto a toda a comunidade. Passo a partilhar com os leitores, e com os devidos agradecimentos à sua autora, o texto apresentado na comemoração pela nossa professora Deolinda Mendes:

A Festa das Lanternas (Yuan Xiao) tem origem numa veneração primitiva e remonta à Dinastia Han, entre 206 a.C. e 220 d.C. Logo depois da chegada do Ano Novo Chinês, no 15º dia do calendário lunar chinês, comemora-se a Festa das Lanternas. Coincidindo com a primeira noite de lua cheia, celebra o começo do Ano Novo e a continuação da Primavera.

O período festivo foi-se alterando ao longo dos tempos. Na dinastia Han, durava apenas um dia. Na Dinastia Song, passou a três dias, o mesmo acontecendo na Dinastia Tang. Em seguida, na Dinastia Ming, as pessoas passaram a acender as lanternas no dia 8 de janeiro do calendário lunar e a apagá-las no dia 17, ao longo de quase dez dias. Na dinastia Qing, adicionaram-se as atividades da dança do dragão, da dança do leão, o pisar das ondas, a dança yangge, mas o período das festividades reduziu-se para quatro ou cinco dias.

Na Dinastia Song, muito próspera, as lanternas e outras decorações eram penduradas por todo o lado. Toda a cidade ficava brilhante, mágica e muito animada! Na Dinastia Ming, a celebração foi prolongada até dez dias, durante os quais apresentavam cantos e danças por toda a parte. Na Dinastia Qing, a corte não festejava a ocasião, mas a Festa das Lanternas era muito popular e grandiosa e, ao mesmo tempo, as lanternas também se tornavam mais sofisticadas e atraentes.

Adivinhar charadas estava na moda: as pessoas colavam tiras de papel nas lanternas e quem adivinhasse a resposta ganharia pequenos prémios. Esta atividade foi muito popular e transmitiu-se durante muitos anos. Na Festa de Yuan Xiao, os chineses decoram com lanternas coloridas as salas de visita e os beirais dos telhados. A forma das lanternas parece uma flor, por isso, a lanterna é chamada de Huādēng, em que “huā” significa flor e “dēng” significa luz ou lâmpada. Levando as suas lanternas, as crianças andam e brincam pelas ruas.

Na antiguidade, a ética feudal dificultava o relacionamento entre moças e rapazes. As moças não podiam sair dos seus aposentos sem a permissão de seus pais, mas a Festa do Yuan Xiao era uma exceção, pois oferecia uma boa oportunidade para que os jovens solteiros se encontrassem. Durante a festa, as moças podiam sair de casa na companhia das amigas. Então, rapazes e moças faziam amizade, em busca de namorados e namoradas. Por isso, esta festa é considerada a festa dos namorados. Além disso, também está ligada à fertilidade, pois era costume os pais oferecerem lanternas às filhas casadas, para que elas lhes dessem netos o mais cedo possível. Podemos encontrar registos destas tradições em documentos e poemas.

Seguindo a tradição popular, nesta noite de lua brilhante pendurada no céu, realizam-se as mais variadas e coloridas atividades recreativas: as pessoas acendem milhares de lanternas coloridas, saem de casa para apreciar a lua, acendem as lanternas e os fogos-de-artifício, adivinham enigmas, remam barcos em seco. As famílias reúnem-se e são todos muito felizes! Come-se yuanxiao (bolinhos de arroz), que significa “reunião” ou “reunir-se de novo” e, também, “felicidade”. Feito com açúcar, rosa, sésamo, puré de feijão açucarado, miolo de noz e pasta de jujuba, usa-se farinha de arroz glutinoso para enrolar em bolinhas. Pode ser frito, cozido normalmente ou a vapor.

Um famoso poeta do século XII, Xin Qiji (1140-1207), deixou-nos o registo do ambiente mágico em que progride, em busca da sua amada. Como pode ele apreciar tanta beleza na sua ausência?

As flores caem das árvores com o sopro do vento;
Assim caíam as luzes do fogo-de-artifício, qual uma chuva de estrelas cadentes.
Coches engalanados enchiam as ruas e pairavam perfumes no ar.
Ondeavam, por toda a parte, as melodias infinitas das flautas de bambu.
Lentamente, a lua girou e escondeu-se atrás do horizonte.
Toda a noite, à luz das lanternas em forma de peixe e de dragão,
as beldades, em vestidos de cerimónia e bonitos enfeites nos cabelos,
passeavam entre a multidão.
Com uma voz suave e graciosa, falavam sorrindo alegremente,
exalando perfumes de flores.
Procurei-a, vezes sem conta, em vão, naquele mar de gente.
De repente, virei a cabeça e encontrei-a no lugar mais recôndito.
«Leituras do Oriente», tão distantes e tão próximas das «da Ocidental praia lusitana»:

A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;
O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;
Enfim, tudo o que a rara natureza
Com tanta variedade nos oferece,
Me está, se não te vejo, magoando.
Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando,
Nas mores alegrias, mor tristeza.

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