A importância dos Arquivos nas Escolas

Voz às Escolas

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Antonieta Silva

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A Escola é uma organização social complexa. Nela interagem atores educativos que, coletivamente, vão construindo a sua história e a memória coletiva, que perdura entre todos os que nela trabalharam ou estudaram. Aliás, a Escola, no passado, era uma instituição com um papel determinante na sociedade da região onde estava instalada. Atualmente, em núcleos urbanos de menor dimensão, a Escola ainda mantém alguma influência na determinação dos poderes que se vão apropriando no seio dessa sociedade. Perceber a sua cultura organizacional e o seu impacto na sociedade tem sido objeto de estudo de muitos investigadores.

A função da Escola passa pela produção constante de documentos que registam as suas múltiplas atividades, de natureza administrativa, mas também de natureza gestionária: circulares, regulamentos e normas internas, estatísticas, relatórios técnicos,… Salienta-se, ainda, neste último conjunto, tudo o que está ligado àquilo que é a essência da ação da escola - a sua função pedagógica. Atas dos vários órgãos da Escola (do Conselho Geral/Assembleia de Escola, do Conselho Pedagógico, dos Conselhos de Turma, dos Departamentos/Áreas Disciplinares/Grupos Disciplinares, dos Conselhos de Diretores de Turma,…), mas também os dossiers que aglutinam todo o trabalho realizado por grupos de trabalho, Clubes e Projetos, serviços técnicos especializados,... Estes documentos são o testemunho do que foi e é a vida da escola.

A perceção da cultura organizacional da escola não se encerra nos documentos que são produzidos, estende-se ao acervo de fotografias e material iconográfico existente, nomeadamente fotografias e imagens, aos materiais didáticos e aos equipamentos pedagógicos que são guardados.

Preservar todo este conjunto de documentos e materiais é uma forma de compreendermos a sua identidade e de salvaguardarmos a memória coletiva da instituição e de todos os que por ela passaram ao longo dos anos. Aliás permitirá, anos mais tarde, que em estudos de investigação se perceba um pouco da cultura organizacional de cada Escola, necessariamente diferente das outras. Por isso, é importante que o vasto espólio da Escola esteja devidamente tratado e arquivado.

Esta temática foi objeto de profunda reflexão ontem, na Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, com a realização do Encontro Nacional de Arquivos e Espólios de Estabelecimentos de Ensino em Portugal. Neste Encontro foi verbalizado por investigadores o que por nós já vinha sendo constatado e percecionado. Os arquivos das Escolas deveriam ser matéria de tratamento por técnicos especializados, pois são estes que possuem formação adequada para criar e respeitar as melhores condições de preservação de todo o vasto espólio que documenta o passado e o presente das Escolas, organizando-o para que a sua consulta e utilização seja manipulada devidamente.

O trabalho que tem vindo a ser realizado por um ilustre historiador, o Doutor Rodrigo de Azevedo, sobre várias instituições escolares, onde evidencio, naturalmente, o valioso trabalho realizado sobre o Liceu Sá de Miranda, assenta precisamente sobre isto. Centrando-se na análise documental, Rodrigo de Azevedo estudou a Escola/Liceu do final do século XIX e início do século XX, enquanto espaço de vivência social.

A professora Maria João Mogarro referiu no Encontro já indicado, que o património educativo, na sua diversidade e variedade, associa o espaço físico (edifícios) ao espólio arquivístico, espólio bibliográfico e espaço museológico, este último constituído por todo o acervo de objetos e materiais. Referiu, ainda, com ecos também de outras pessoas que assistiram à sua comunicação, que na maioria das Escolas intervencionadas pela Parque Escolar, os arquivos existentes, mais ou menos bem organizados de acordo com os interesses e conhecimentos dos professores dessas Escolas, foi indevidamente acondicionado e que muito do acervo se perdeu. Sobre a intervenção no Sá de Miranda não podemos dizer o mesmo. O acervo mantém-se razoavelmente conservado e houve até o cuidado de criar espaços organizados para a sua preservação.

Falta agora, como em todas as outras escolas faltará, o tratamento da informação e da documentação por quem melhor sabe - os arquivistas.
Por fim, transcrevo aqui um pensamento de Heródoto, importante geógrafo e historiador grego do século V a.C., evocado no Encontro, porque sintetiza a importância de existirem arquivos estruturados nas Escolas: “Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro”.

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