A realização de congressos e eventos como desafio à dinâmica do turismo

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Abílio Vilaça

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O Minho possui condições extraordinárias para a realização de congressos e eventos de turismo de negócios de curta duração com impacto positivo nos operadores turísticos, hoteleiros e na economia da região.
A existência de excelentes infraestruturas, como auditórios e salas de reuniões pertencentes a varias entidades dispersas pela região, associadas a espaços de exposição de pequena dimensão, a existência de uma oferta significativa de alojamentos já qualificados, de oferta de alimentação muito apreciada por visitantes e turistas, constituem elementos essenciais para se poder trabalhar na organização de uma oferta estruturada junto dos grandes organizadores de eventos europeus e mundiais. A disponibilidades de outras infraestruturas como a oferta de wifi e internet grátis em muitos espaços de fruição pública, constituem bases essenciais para uma oferta estruturada e com maior ambição.
A realização de eventos por parte dos municípios da região, tem vindo a aumentar e a melhorar a sua qualidade de forma acelerada. Essa nova cultura dos eventos de carácter público, gratuitos e que têm obtido a adesão das populações, constituem experiências positivas para se desenvolverem agências de eventos muito profissionalizadas. Direi que estamos a avançar no bom caminho, ao criar um ambiente favorável ao desenvolvimento de competências técnicas e profissionais que favorecem a organização de eventos de grande dimensão e possibilitando já economias de escala relevantes.
Assistimos nos últimos anos a uma maior consciência organizativa e de planeamento por parte dos atores políticos no trabalho em cooperação. Sendo ainda muito presente uma força centrípeta para que os municípios chamem a si as decisões e influenciem de forma muito ativa a programação e os modelos de organização, constituem ainda assim etapas positivas num processo de evolução da organização municipal. Se fizermos uma leitura de observação geral dos eventos realizados, nos últimos anos, na região, muito rapidamente constatamos uma hegemonia dos centros urbanos sobre a periferia. Os concelhos do interior da região apresentam-se com uma oferta mais franzina quer na duração, quer na diversificação da oferta. Entendo que essa diferença entre a dimensão dos eventos realizados por municípios mais urbanos em comparação com os eventos de municípios de menor densidade populacional resulta uma diferença significativa em desfavor dos municípios de menor dimensão. Nesta matéria poder-se-ia ter uma melhor compreensão do fenómeno e desenvolver parcerias intermunicipais que potenciassem a realização de eventos. Será necessário qualifica-los do ponto de vista turístico e assim ambicionar uma projeção turística mais ambiciosa. Falta ainda uma visão integrada da organização de eventos com impacto no desenvolvimento turístico da região.
A manter-se a hegemonia centrípeta, as localidades mais centrifugas, continuarão a ficar limitadas á sua própria condição e nada ajudará a inverter fenómenos de desertificação, muito presentes na afirmação de assimetrias, no que ao desenvolvimento regional diz respeito. O Minho e os minhotos não podem ficar felizes com a ausência de solidariedade e de inteligência polí

tica regional que favoreça um desenvolvimento mais sustentado.
Constata-se que os municípios, se têm dinamizado, de forma extraordinária para a realização de eventos com capacidade de gerar negócios. Veja-se a realidade de Montalegre com a feira do fumeiro, ou Amares com o Festival de Papas de Sarrabulho, ou a oferta gastronómica de Ponte da Barca. Não refiro aqui os eventos mais marcantes como as Festas da Senhora da Agonia em Estamos perante uma dinâmica muito relevante por parte dos municípios que aportam importantes meios financeiros públicos para esse efeito. Realizam eventos, crescentemente qualificados, mas que ainda assim não conseguem reter os visitantes e turistas como sria desejável. Veja-se as taxas de ocupação hoteleira na região e constata-se que não tem uma evolução tão positiva. Esse é um verdadeiro estigma que tem de ser visto numa perspetiva de qualificação turística dos eventos. Um evento público, com uso de meios financeiros públicos, não pode ficar pela mediania dos resultados. Temos de ser mais ambiciosos e consolidar iniciativas que tenham capacidade de reter visitantes e turistas na região. Esse é o desafio que deve enformar os organizadores de eventos, sobretudo os de matriz pública. É interessante mobilizar públicos para os eventos, esse objetivo é importante, mas teremos de ir mais longe, o de mobilizar para gerar negócios na localidade e na região. Um turista que durma numa unidade hoteleira da região produz mais riqueza para o tecido económico do que o turista que regressa ao Porto para pernoitar numa unidade hoteleira aí localizada.
A Câmara Municipal de Lisboa e o Turismo de Lisboa têm trabalhado numa estratégia comum, a de fazer de Lisboa um destino de Turismo de negócios e de Congressos. O benchmarking (copiar o que de melhor se faz lá fora, adaptando ás condições internas), sobretudo com Barcelona, Madrid, Berlim, Londres entre outras capitais europeias e mundiais, tem dado resultados. Em 2017, a cidade de Lisboa possui programados 170 congressos e eventos de dimensão internacional, conquistados junto dos grandes organizadores de eventos. As entidades detentoras de espaços para feiras e congressos compreenderam que para além de organizar os seus próprios eventos, tiveram de se organizar integradamente e oferecer aos grandes organizadores de eventos internacionais as suas condições físicas, os seus espaços e a sua capacidade de organização. Passaram do saber fazer local para o saber vender internacional. Atingiu-se já uma dimensão digna de nota, quando se identificam 170 eventos e congressos e se esperam receber 300.000 congressistas em 2017 em Lisboa. Não tenhamos dúvidas sobre o impacto na ocupação hoteleira, nos restaurantes, nas visitas guiadas, nas visitas aos museus e nas compras no comércio local. A economia de Lisboa está a crescer a olhos vistos. Está a “bombar” como se diz hoje na gíria turística.
A experiência de Lisboa deve motivar os autarcas do Minho para um benchmarking inteligente e que fomente uma nova forma de organizarmos a oferta das infraestruturas aos grandes organizadores internacionais. Mas atenção, não deixem de fazer o excelente trabalho que todos têm beneficiado.

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