Ano 2017, um ano eleitoral importante

Escreve quem sabe

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Abílio Vilaça

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Estamos a assistir recentemente ao anúncio de cabeças de lista para as próximas eleições autárquicas, nos vários municípios por parte de quase todos os partidos políticos. É, pois, um período em que as conversas invariavelmente se centram no processo eleitoral. Num momento em que, se pode já fazer um balanço do que foi realizado e em que medida corresponde ao que foi prometido nos programas de candidatura em 2013, importa fazer uma reflexão cuidada, sobre o que se fez e se pretende vir a fazer num futuro próximo.
Estamos por isso em período de avaliação do desempenho dos autarcas eleitos e de pedir contas sobre o que não ficou concretizado. Curiosamente um estudo recente veio esclarecer que de um modo geral os políticos portugueses cumprem no essencial o que prometem. Mas ao invés do que refere o estudo de opinião, seria interessante saber porque todos os políticos falham na mobilização dos cidadãos para se interessarem pela coisa pública. Vejamos o que se passa com a abstenção em todo o país e constatamos um perigoso aumento contínuo da abstenção. Os programas dos partidos são muito silenciosos nesta matéria. Parece ou não querem mesmo falar no assunto.
Afinal todos os políticos falham em matéria de participação cívica dos cidadãos que se reflete nas taxas de abstenção. Porque se abstêm as pessoas de ir votar?
A democracia é forte quando todos estão presentes de uma forma ou de outra na vida da sociedade, se aceitam as diferenças com a mesma abertura com que se aceitam as convergências. Afinal a democracia só faz sentido se houver pluralismo e tolerância.
O concelho de Braga, durante cerca de 4 décadas foi governada pelo partido socialista e está agora a ser governada desde 2013 (3 anos e alguns meses) por uma coligação designada juntos por Braga e que agrega o partido social democrata, o centro democrático social e o partido popular monárquico. Esta mudança veio trazer novas formas de olhar o concelho e novas opções políticas de desenvolvimento.
O Desafio que é necessário colocar aos políticos de todo o país e sobretudo aos da nossa região é a luta contra o absentismo. Sabe-se que este tema é sempre colocado na agenda da análise eleitoral, mas nunca é colocado no programa dos diferentes partidos a nível local. A luta contra o absentismo deveria ser colocada no programa dos partidos e coligações que concorrem ao próximo processo eleitoral. Serão os políticos capazes de assumir o compromisso de lutar contra o absentismo?
Numa altura em que as incertezas sobre os efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia ainda se desconhecem em detalhe, com o acréscimo de incerteza criado pela da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as dúvidas sobre se a luta contra o terrorismo terá um fim, exige-se que os políticos nacionais se concentrem mais na dinamização cívica e na participação dos cidadãos na vida política e social do país. Os reais impactos que o BREXIT, por um lado, associado ás mudanças que por certo Donald Trump vai introduzir no relacionamento mundial e nas prioridades dos Estados Unidos em termos políticos e económicos, levará a mudanças cujos contornos desconhecemos. É por isso essencial que na nossa casa comum tenhamos a certeza do que queremos como sistema de vida política, social e económica.
O alheamento dos cidadãos da vida política, tem contribuído para que os partidos estejam muito debilitados em termos de militância ativa, da discussão de ideias, da reflexão sobre o futuro das cidades, concelhos, regiões e país. Muito pouco ou nada se vai sentindo na mobilização pública por causas de interesse para o desenvolvimento da sociedade. As constantes iniciativas públicas de animação apenas resultam em recreio geral e não contribuem para uma maior consciencialização política e cívica das populações. Reconheço a importância cultural de muitas iniciativas. Elas podem ser utilizadas para despertar outros interesses. É necessário que esses momentos de muita participação pública se constituam também como momentos de envolvimento social, comunitário e de defesa de causas.
Muitos jovens, com quem tenho o privilégio de falar sobre estes temas, dizem-me que não vale a pena estar preocupado com temas políticos, pois assistem sempre aos mesmos fenómenos de clientelismo e de favorecimento dos amigos. Não compreendem como podem participar nas assembleias de freguesia e assembleias municipais como cidadãos.
O contexto atual deve considerar a necessidade de abrir as portas dos partidos ás novas gerações de jovens e a conquistar os cidadãos a falar sobre as suas preocupações e os seu sonhos para o bem comum. Só envolvendo a juventude e os cidadãos é possível contrariar o alheamento sobre a política local, regional e nacional. Todos fazem falta. Todos são necessários á construção de uma sociedade mais moderna, mais justa e mais livre.
O desafio que deixo a todos os partidos e coligações que por certo irão concorrer ás assembleias e juntas de freguesia, á assembleia municipal e á Câmara Municipal, é o de que coloquem nos programas o desenvolvimento de uma maior cidadania.
Uma forma simples, é o da criação de Escolas de Cidadania e Participação Social em todas as freguesias, com o envolvimento direto dos autarcas. Só pela criação de condições á participação de todos poderemos conhecer as diferenças e as novas ideias para qualificar e desenvolver a nossa democracia.
Não podemos esquecer o velho ditado, “bons líderes fazem das fraquezas forças”, e numa sociedade mais culta, mais qualificada e competente, é possível criar mais entendimento, mais ambição do que aquela que se tem apresentado.
A ambição por uma sociedade melhor, mais justa e mais livre, depende apenas de quem conquista o voto dos eleitores e os consegue envolver na vida pública e na construção da sociedade mais participativa. Fica o apelo a todas as forças políticas para que considerem nos seus programas eleitorais a criação de escolas de cidadania e participação cívica em todas as freguesias do concelho. Este é um desafio para os autarcas que acreditam nas novas gerações e que acreditam na política como forma de criar uma sociedade mais democrática, plural e livre.

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