Os “conquistadores do inútil” na sociedade

Ensino

autor

António Brandão

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Em Portugal, a crescente procura de vivenciar novas e fortes emoções por parte das camadas mais jovens, gera um impressionante cabimento para prática do Desporto de Natureza e Aventura (DNA). Constatamos que o nosso país apresenta locais de eleição privilegiados para os amantes de tais modalidades desportivas realizarem as suas proezas. A população em geral, num primeiro tempo, observa os praticantes deste tipo de desportos como intrusos, sujeitos que gostam de ver e pôr a sua vida em risco. Sente-se aos mais variados níveis da nossa sociedade, críticas derrotistas, para tentar apontar os apaixonados do DNA como os malfeitores, transgressores, os maníacos dos desportos extremos, pessoas que assumem riscos desnecessários, emergindo o slang: “Os conquistadores do inútil”.

Considerando infundadas muitas e desvariadas censuras sobre os DNA tentamos decernir uma opinião sobre a representação desta prática desportiva. Neste domínio, a nossa experiência, ao longo das últimas décadas, gerou-nos a possibilidade de identificar uma outra mentalização do que se passa com a práxis destes desportos.
Para nós, é evidente que grande parte das modalidades assumem o risco como sendo uma característica diferenciadora transversal à escalada, canoagem, rafting, canyoning, BTT, trail, surf, mergulho, entre muitas outras. Contudo, os verdadeiros enamorados destas práticas procuram manter o equilíbrio entre a preservação da natureza e as suas façanhas, procurando evitar o caótico do espaço envolvente. Sabedores das particularidades específicas do DNA em comparação com qualquer outro desporto competitivo, somos obrigados a procurar um enquadramento capaz de trazer o máximo de segurança, quer para o meio circundante, quer para o sujeito executante.

É fundamental desenvolver uma consciencialização em todo o praticante que o risco de ocorrer um acidente/incidente é muito próximo do real. Remarcamos com frequência que dadas as particularidades associadas aos locais de prática, tais como, enquadramento, súbitas alterações atmosféricas, temperatura, época do ano, hora do dia, isolamento dos locais, dificuldades de acesso, entre muitas outras, levam o praticante a sentir o perigo. Esta apreciação da advertência por parte do indivíduo reside nas suas vivências e experiências, igualmente através das suas práticas e percursos formativos.

Toda esta vertente informativa, formativa e vivencial engendra uma interpretação dos cenários próprios para o exercício do DNA, procurando vivenciar e ter as suas capacidades técnicas, físicas, emocionais e cognitivas desenvolvidas e focadas para tal situação. A nível da representação mental temos que incutir nos aspirantes à prática do DNA, que é preciso adquirir uma certa cultura específica da modalidade, para evitar colocar constantemente a sua vida em risco, destruir a natureza, sobretudo a fauna e flora específicas, interagindo com as populações locais deixando uma imagem sempre positiva da sua convivência com o meio ambiente.

Os praticantes experientes valorizam os riscos inerentes a estas atividades, através de comportamentos e atitudes adequados e integradores do meio onde se insere a atividade. Verificamos que os seniores destas modalidades dão exemplos de respeito, quer da natureza, quer da sua própria vida, contribuindo com as suas ações para uma prática sustentável utilizando equipamentos e procedimentos de segurança ajustados e adequados à realidade desportiva.

É esta a visão que faz com que os praticantes experientes deste tipo de desportos tenham a consciencialização do que estão a fazer, tirando o maior prazer do que a natureza lhes pode dar, honrando a sua vida, a dos seu colegas, dos seus familiares e respeitando sempre o meio envolvente. Estas serão as atitudes mais corretas para a afirmação dos DNA e dos seus praticantes surgirem como elementos dinamizadores, integradores da sociedade contemporânea, contribuindo desta forma para um novo slang: “Os concertadores dos espaços (in)úteis”

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