Futebol, ciência e tecnologia: seguindo os próximos passos, literalmente

Ensino

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Filipe Clemente

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Quem não possui no seu smartphone tecnologias de georreferenciação (e.g., GPS)? Na sua utilização corrente tal possibilidade oferece-nos a oportunidade de identificarmos, rapidamente, a nossa localização, bem como, determinar o trajeto de uma forma retrospetiva ou prospetiva. No carro ou a pé, esta tecnologia permitiu-nos dispensar mapas e perceber imediatamente os melhores trajetos a cumprir ou, para o caso dos amantes da corrida, analisar o percurso percorrido ou o ritmo.

Mas o que é que a georreferenciação tem que ver com o desporto e, particularmente, com o futebol? Projetando mentalmente um exercício simples, peço para imaginar que se encontra a desenhar numa folha de papel um retângulo. Desenhada a figura geométrica, vamos colocar um ponto indiscriminado no interior desse mesmo retângulo (1).

Agora, e voltando a apelar à projeção mental, vamos desenhar um novo retângulo exatamente igual e colocar outro ponto num local um pouco mais ao lado do ponto inicial (2). Se continuássemos muito tempo este exercício, para além do cansaço mental óbvio de tal projeção, teríamos um conjunto de pontos e locais diferentes, relativamente próximos (considerando o meu pedido) e em tempos diferentes considerando que o número que foi solicitado a colocar seria o tempo. Se, num exercício final, sobrepuséssemos de forma ordenada e crescente no tempo todos os retângulos e uníssimos os pontos com uma linha contínua, teríamos o trajeto de um ponto que passaremos a chamar de “jogador”.

Imaginemos agora que por cada segundo, e ao longo de, pelo menos, 90 minutos conseguíamos desenhar 5, 10 ou 15 retângulos e respetivo ponto representativo de cada um dos, pelos menos, 22 jogadores nessa figura geométrica. Tal tarefa parece humanamente atroz certo? Pois bem, para isso existem os sistemas de localização onde neles se incluem o GPS.
É a partir daqui que projetamos o futuro a curto prazo. Se a distância percorrida, a velocidade, a aceleração e a desaceleração são as variáveis tipo de utilização por parte de quem utiliza o GPS, a capacidade de prever futuros eventos ou de classificar o comportamento por via destes dispositivos ainda não se encontra devidamente explorada.

No entanto, se conseguirmos determinar os locais (pontos) por onde o jogador X passa ao longo de todos os jogos da época, conseguiremos projetar o seu padrão comportamental. Esmiuçando um pouco mais, poderíamos ainda caracterizar o seu posicionamento quando a bola se encontra no corredor lateral direito, esquerdo ou centro e nos momentos com e sem posse de bola. Este exercício não teria fim, considerando a imaginação do leitor ou do analista. Todas estas tentativas de identificar padrões por via da localização poderão resultar na capacidade de: i) conhecer melhor o padrão de ação do jogador de forma melhorá-lo ou explorá-lo; ou ii) prever próximos posicionamentos.

Confuso? Vamos agora ao supermercado. Se as câmaras de vigilância conseguissem (e já conseguem) determinar a sua trajetória pela loja de todas as vezes que for às compras e, agora pensando em todos os sujeitos da sua idade que vão a essa mesma loja ao longo do tempo, poder-se-á pensar em organizar de forma mais conveniente a distribuição dos produtos pelo espaço e a exposição desses mesmos produtos à passagem dos clientes “alvo”.

Voltando ao futebol, este exercício de representação espacial e de determinação comportamental por via da localização dos jogadores poderá ser o garante da evolução do jogo e do entendimento da sua dinâmica. Para isso, trabalham todos os dias pelas diferentes academias superiores grupos de investigadores de distintas áreas que interagem no seu conhecimento para gerar novas respostas à prática. É nestes grupos que nos enquadramos (Escola Superior de Desporto e Lazer, ESDL) na procura deste novo conceito: a ciência dos pontos em movimento como designou, recentemente, Maheswaran.

Na nossa ESDL, procuramos consubstanciar o conhecimento na prática, gerando conhecimento e promovendo-o, através dos nossos alunos, pela atuação rigorosa no novo desporto que está a chegar. Neste âmbito a inovação e a qualidade serão o garante da diferenciação pela positiva sendo este o ponto final onde a nossa escola se pretende posicionar.

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