Neste Natal, o essencial é…o coração

Voz às Bibliotecas

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Aida Alves

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Nesta quadra festiva, reencontramos familiares, convivemos à volta de narrativas individuais e coletivas. Nas cidades, andamos numa terrível azáfama de compras, de lojas, de compras, de pressas consumistas, de compras, para um fim último comum: retomar às nossas origens, voltarmos a estar no aconchego da nossa infância e do nosso imaginário. Viajamos ao encontro dos nossos familiares, dos nossos amigos, e muitas vezes, ao encontro daqueles que mais necessitam de apoio. Muitas são as histórias, as memórias transportadas em nós, sentidas e vividas, desenhadas com palavras e ilustradas com emoções. Nesta quadra importa o ser humano, importa a condição humana.

A obra O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, publicado pela primeira vez em 1943, em plena segunda guerra mundial, fala-nos do mundo complicado em que vivem os adultos, através dos olhos de uma criança. Já leu esta pequena grande obra? Nesta simples e profunda narrativa, que aconselhamos vivamente à (re)leitura e reflexão, ressalta a imagem da criança na sua forma singular e incorrupta de ver o mundo que a rodeia. Qual é a solução dela para resolver o problema do Mundo? “é muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Os olhos são cegos. É preciso procurar com o coração”. Longe de ser um livro infantil, só conseguimos entender as mensagens singelas que nesta obra constam, quando chegamos à vida adulta, por vezes numa idade mais avançada, ultrapassada a fasse egocêntrica e narcísica. Para quem leu a obra há muitos anos atrás, será interessante relê-lo mais uma vez, quiçá nesta quadra de Natal.

Na passagem do livro onde diz: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças - mas poucas se lembram disso”, faz-nos lembrar que devemos ser permanentemente adultos e cumprir regras. Há quem perca grandes oportunidades de realizar sonhos quando estabelece não mais ir a um parque infantil, não andar de baloiço, não mais comprar uma revista de banda desenhada, não mais andar a correr à chuva a cantar, ou andar de bicicleta.
No Natal sejamos um pouco crianças.

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar.” Não exija dos outros aquilo que eles nunca lhe prometeram dar, nem se obrigue a oferecer algo que não lhe pertence. Um amor, uma amizade, um carinho, um abraço, um reconhecimento, um pedido de desculpas, tudo acontece naturalmente e só tem valor quando é entregue sem cobranças. Não deve haver reis e súbditos. Neste Natal seja autêntico e deixe o seu orgulho de lado.

Outra mensagem que é passada nesta obra é que só conhecemos bem as coisas quando as conseguimos cativar, ou nos deixamos cativar por elas. Esta ideia reporta-nos à importância da construção de relações interpessoais, alicerçada na confiança e no respeito, importantes elos numa sociedade em construção. No começo, os outros parecem-nos distantes, sobre eles formamos rapidamente opinião, por vezes toscamente formada, com preconceitos e superficialidades. Vivemos no imediatismo social. Não conhecemos os seus gostos e preferências.

Quando damos oportunidade e espaço ao conhecimento do outro, damos espaço à sua expressão, criamos laços, abrimos o poder da comunicação e do coração. Quando o outro nos cativa se criam laços, sentimos a sua falta, numa relação recíproca que pode perdurar no tempo. Criam-se amizades.
“É mais difícil julgar-se a si mesmo do que julgar os outros”, outra passagem do livro que nos obrigada a pensar e a refletir. Muitos sabem que olhar para dentro dói, assumir erros é difícil e, se é para magoar alguém, melhor que seja o outro e não eu a ser magoado.

Nesta quadra de Natal e de fecho de ano civil, fica a sugestão da leitura desta “pequena” obra, em família, numa reflexão conjunta de frases que podem eventualmente ajudá-lo a refletir e a melhorar algum comportamento, alguma atitude, a pedir perdão àquela pessoa com quem não fala há meses atrás. A leitura faz-nos bem, em qualquer que seja a quadra, o momento. A leitura e a reflexão do lido, ajuda-nos a ser efetivamente melhores.
Um bom ano de 2017 para todos. As bibliotecas públicas têm doze meses com doze novos desafios para si. Visite-as! Caminhe na consolidação do seu saber e de um futuro melhor.

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