Desafectos ao fascismo evocados com afectos

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Costa Guimarães

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Ficou demonstrado estes dias, na Biblioteca Municipal de Fafe que, Artur Ferreira Coimbra acredita que, entre outros exercícios de espírito, o mais útil é a história.
Esta máxima de Caio Salústio Crispo Historiador e político latino, do século I a. C. verificou-se na apresentação de ‘Desafectos ao Estado Novo - Episódios da Resistência ao Fascismo em Fafe’, da autoria desse grande apaixonado pelas pessoas, instituições e acontecimentos da sua terra.

A sala encheu-se de amigos e familiares dos mártires da liberdade, como Joaquim Lemos de Oliveira, ‘Repas’, Gervásio da Costa, Ângelo Salgado Medon, Joaquim de Araújo Lopes, Dr. Adelino Pinto Bastos e outros.
A apresentação desta edição traduziu-se numa singular e eloquente homenagem à memória da luta pela liberdade evocando protagonistas, momentos, estratégias e lugares, com palavras acessíveis mas rigorosas e documentadas.

Marcaram presença os ex-presidentes de câmara António Marques Mendes, e Parcídio Summavielle, que foi lutador anti-fascista e liderou o município entre 1980 e 1997.
Além de colaborador que honra o Correio do Minho, Artur Coimbra afirma-se como um autor citado na bibliografia de investigadores, como José Pacheco Pereira e Irene Flunser Pimentel (Prémio Pessoa 2007 e autora da gigantesca A História da PIDE), por exemplo.

Esta terceira edição destapa novos “rostos da resistência” (Artur Pinto Bastos, Ângelo Salgado Medon, Joaquim de Araújo Lopes e Ernesto Amílcar de Oliveira), e novos documentos enriquecidos com imagens.

A eles se deve a liberdade de que hoje desfrutamos em resultado de um combate persistente de gerações de republicanos, democratas, comunistas, socialistas e católicos durante quase meio século. Esse “longo país do medo” assentava na polícia política, censura, forças armadas e fraudes eleitorais, para silenciar as divergências e tapar injustiças. Nos anos 30, avulta o combate político do jornalista José Manuel Teixeira e Castro contra a censura e em defesa dos seus jornais.

Depois vem a famosa luta pelo pão, o encerramento político do Externato de Fafe, a biblioteca clandestina e a cooperativa de pedreiros. Nos anos 50, avulta o assassínio pela PIDE do fafense Joaquim Lemos Oliveira, ‘Repas’, a vítima maior do regime deposto. Creio ter sido Óscar Wilde quem escreveu que todos nós sabemos fazer história mas só os grandes a sabem escrever.

‘Major Miguel Fereira — Uma lição de Liberdade’, ‘Dicionário dos Fafenses’, ‘Escola Comercial e Industrial de Fafe’, ‘Teatro e Cinema de Fafe’, ‘Associação Desportiva de Fafe— 50 anos’, ‘S. Julião de Serafão’, ‘Padre Joaquim Flores’ constituem apenas alguns exemplos de obras que fazem de Artur Coimbra um Grande, com letra maiúscula.

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