Retire o ‘s’ à palavra crise... Crie!

Ideias

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Natália Rebelo

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Não tendo a pretensão de intitular-me especialista em empreendedorismo, mas assumindo-me como curiosa e atenta a esta temática na ordem do dia, para além de socialmente responsável face às funções que desempenho, impus-me o repto de partilhar reflexões, citando alguns profissionais que partilham o seu ‘know-how’ em eventos promovidos na EPB.

É essa troca de ideias que nos impulsiona a incutir, nos nossos alunos, uma postura baseada na dedicação, na audácia em querer mudar e em ver o que os outros veem, mas pensando e agindo de forma diferente. É o desafio de sensibilizá-los a verem o copo meio cheio e nunca meio vazio, focando-se mais nas soluções do que nos problemas, e ainda familiarizá-los com conceitos que permitem encarar com um olhar mais positivo esta crise de confiança - empreender, criar, inovar, diferenciar… transpirar. Porque a criatividade é, segundo Einstein, composta por 1% de inspiração e 99% de transpiração.

O empreendedorismo e a crise andam de mãos dadas, seja numa perspetiva positiva ou negativa, aliás a palavra crise em chinês é escrita com dois símbolos, um que representa perigo e o outro oportunidade. Luís Rasquilha, especialista em tendências e inovação, desafiou-nos a retirar a letra ‘s’ à palavra crise. E o que resta? Crie! Num registo ‘cool’, honrou-nos duas vezes com um desvio pela EPB, e provocou-nos para a produção de ideias inovadoras e consistentes porque “nas maiores crises, encontram-se as maiores oportunidades”.

Uns fazem dela uma oportunidade, buscando na criatividade uma maneira de agir e de fortalecer, outros sentem-se ameaçados e lamentam à espera que “depois da tempestade venha a bonança”. Em termos práticos, há quem chore e compra lenços e há aqueles que, aproveitando a oportunidade, os vendem.

Exemplo disso é o nosso “conterrâneo”, Miguel Gonçalves, fundador da Spark agency, que, também ele, já nos visitou duas vezes e deixou muitas cabeças irrequietas (a minha inclusive). Audacioso, com uma fibra fora do comum, imprime no seu discurso palavras de incentivo e o retrato do que o mercado precisa: pessoas com atitude, motivação e “com vontade de levantar paralelo”.

Segundo o Estudo Europeu de Empreendedorismo, promovido pela Amway e apresentado há dias, 70% dos jovens participantes apresentam uma atitude positiva perante o empreendedorismo, com vista à criação do seu próprio posto de trabalho. Sabemos que este é um sentimento cada vez mais interiorizado por milhares de portugueses em situação de desemprego e cuja oportunidade de reintegrar o mercado, na qualidade de trabalhadores por conta de outrem, é cada vez mais remota.

A inovação é um conceito associado ao empreendedorismo. Já Peter Drucker, o pai da gestão, fazia essa associação quando referia que “o empreendedor é alguém que lança projetos inovadores”. Bruno Silva, fundador do Portal Inovação & Marketing, afirmou numa das suas intervenções na EPB, que “o combustível da inovação é o conhecimento”.

Como tal, é bom que os nossos alunos percebam que a aposta no conhecimento, na educação e na formação é fundamental, ainda mais porque o conhecimento está a duplicar em cada cinco anos e aponta-se que, em 2020, o conhecimento irá duplicar em apenas 73 dias. Ao existir cada vez mais conhecimento, também existe cada vez mais “combustível” para gerar inovação.

Mas só acontece inovação se o mercado for recetivo. A diferença entre invenção e inovação tem a ver com a recetividade do mercado e a inovação surge se gerar benefícios concretos, isto é, se houver geração de valor. Um conceito reforçado pelo meu amigo, Professor Jorge Sequeira, nas suas palestras de “criativação” (criatividade + inovação).

Quanto maior é a crise, mais os empreendedores estimulam a sua irreverência em arriscar quando poucos o fazem e em confiar quando muitos se entregam ao pessimismo. O fundador da Apple, Steve Jobs, no seu discurso numa universidade norte-americana, “stay hungry, stay foolish” (mantém-te faminto, mantém-te tolo), reforça a ideia de que quem atingiu um certo patamar de excelência, embora seja tentador adotar uma postura acomodada, beneficia em manter-se ávido de conhecimento e experiência, e em reconhecer, com humildade, que é sempre possível melhorar.

Quanto ao estado de tolice, ao sairmos do estado de inércia, ao olharmos as coisas por uma nova perspetiva, ao explorarmos novos horizontes, levantam-se alguns receios naturais mas, ao sermos mais inconsequentes nas nossas atitudes, agimos mais ousadamente. José Micard Teixeira, escritor e “life coach”, partilhou há meses, no auditório EPB, “libertemo-nos dos medos e enfrentemos a mudança”, a qual é inevitável. Afinal, somos “únicos e especiais”!

Porque não recordarmos esta frase, por um lado, quando estamos numa fase bem sucedida, para que o conforto não se insta-le, aguçando o “apetite” ou, por outro, quando estamos a viver momentos mais críticos, para que o negativismo possa ser substituído pela força de acreditar e continuar a arriscar? Pedro Chagas Freitas afirmou, num seminário de comunicação, ocorrido em fevereiro na EPB, que “É a nossa força que realmente faz o mundo girar”.

Procure-se então a dose certa de fome e de tolice para empreendermos o que outros não pensaram antes ou não têm a audácia de fazer, por pensarem que era tolice a mais, acautelando, no entanto, que essa determinação, que transforma as ameaças em oportunidades, não ganhe proporções desmedidas ao ponto de nos cegar.

Grandes empreendedores afirmam que ninguém recomendava que avançassem com uma ideia ou projeto que fervilhava nas suas cabeças, enquanto estava precisamente na hora de avançar. Dr. Ricardo Vilaverde, especialista em PNL, nosso convidado para uma sessão de ‘coaching’, perguntou aos nossos alunos “que sonhos têm e quais destes podem ser transformados em planos?”. Alunos EPBianos, empreendam, inspirem-se, criem, inovem, transpirem… “para a frente é que é o caminho!”

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