Matar jornalistas: crime compensador

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Costa Guimarães

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O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi celebrado este ano de forma trágica: mais um jornalista foi assassinado no Brasil. Décio Sá morreu com seis tiros num bar na cidade de São Luís.
Tinha 42 anos e era repórter de O Estado do Maranhão. Foi o quarto profissional de imprensa assassinado no país em 2012, o que eleva o Brasil ao topo de um ranking macabro na América Latina.
Com 36 jornalistas mortos, a América Latina foi a região do mundo mais perigosa para os jornalistas em 2011.

O Médio Oriente é a segunda região do mundo com mais jornalistas mortos, 21, na sua maioria no contexto de confrontos no mundo árabe. Na Ásia, onde 17 jornalistas foram mortos em 2011, os países mais perigosos foram o Paquistão e as Filipinas.
Infelizmente, a probabilidade de ver os responsáveis por essas mortes julgados é próxima de zero, lamenta o Instituto Internacional da Imprensa.

Segundo um levantamento recente - que não leva em conta os casos de 2012 -, nos últimos 20 anos 70% dos assassinatos não foram esclarecidos. Contra a imprensa, o crime compensa. Traficantes de drogas, chefes de milícias e autoridades corruptas se revezam na lista de mandantes, mas a polícia não consegue encarcerá-los e a Justiça raramente chega a julgá-los.
A ONU alerta que país onde os repórteres são fuzilados dessa forma é um país em que o direito à informação está a ser sequestrado. Se esses crimes prosperam, a liberdade de imprensa regride, obrigatoriamente. Com eles vem a autocensura, no mínimo.

Não há como evitar. É o que vem acontecendo com várias redacções jornalísticas no México.
No recente encontro da Associação Mundial de Jornais (WAN-Ifra), no Chile, o jornalista mexicano Javier Garza, mostrou o que a guerra do tráfico produziu no seu país. Alem de seis mil pessoas assassinadas, regularmente, os bandidos metralham com AK-47 as residências de jornalistas e aterrorizam as suas famílias.

Com impunidade garantida, os criminosos escapam ilesos, numa estranha cumplicidade entre autoridades apáticas e bandidos sanguinários. As primeiras não fazem nada, os segundos atiram à vontade.
Se o Estado não cumpre seu dever de garantir o direito à vida e à segurança do povo, ele automaticamente sabota o direito da sociedade de ter acesso à informação. Se o que vale é a lei da selva, não existem mais as premissas para que a imprensa sobreviva. Um Estado de corrupção, tráfico de influências. Pode não matar jornalistas mas asfixia a imprensa livre que somos chamados a exigir como se tratasse da nossa vida.

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